A Poesia é a expressão da Vida da Alma!

Ricardo Maria Louro

Vidros Quebrados

Trago vidros quebrados

No mais íntimo da vida

E nunca tive telhados

Na minha casa partida.

 

E se verde é a esperança

A minha é cor de solidão

Da loucura de quem avança

Pelo mar do coração.

 

Pois da vida que me vedes 

Sou apenas um asceta

Meus olhos não são verdes

Mas minh'alma é de Poeta.

 

E fui louco até ao fim

Jogando a vida sem ter dados

Neste mar de mim a mim 

Só trago vidros quebrados.

 

Até aos 24 Anos

Nasci póstomo!

Neto de alguém!

Avô de mim mesmo!

Filho de ninguém!

E de onde vim?!...

De parte incerta

- por certo! -

Vivi póstumo na vida

tão póstumo

que dá vida me perdi.

E o que de mim fiz?!.

Alguém que longe,

de tão longe, chegou a si.

Profunda sintonia,

estranha contradição.

Mui mal me senti..

aqui e ali ... sem coração.

Aquém de mim!

Num universo sem fim ...

Meu triste e pobre universo!

Sem verso nem reverso,

fui Poeta, solidão, fado e asceta,

Íntima espiral

de profunda comunhão!

 

Quadras de uma Alma Despojada.

Poema do livro Madrigais do mesmo autor.

O Melhor de Mim - Soneto

Sinto que o melhor de mim 'inda não veio!

Mas de que horizontes há-de esse bem chegar?!

Há mágoas a bailar no vale do meu seio

e tantas dores que sinto ainda aconchegar ... 

 

E é ter fome de ser alguém diferente

é ter sede de encontrar outro caminho

procurar outro Destino, ir em frente,

recordar as ilusões de pequenino.

 

E é sentir uma vontade de te amar

num campo de açucenas a florir

que se dá, por dar, aos olhos de quem chegar.

 

Que vontade de adormecer nesse teu seio,

que vontade de chorar, contigo rir ...

Serás Tu o melhor de mim qu'inda não veio?!

 

 

Elegia da Paixão

Do livro Madrigais do mesmo autor.

Estranho e Sombrio

Talvez houvesse um amor

Esquecido no coração

Mas só havia dor

E gritos de solidão.

 

É tão negro o que pressinto

Quando passo àquela rua

Que ao sentir o que não sinto

Sei que a dor não é só tua.

 

E se uma lágrima caída

Trouxesse luz ao teu olhar

Eu faria desta vida

Um lamento ao passar.

 

Mas levo o corpo fechado

O teu retrato na mão

E num gesto calado

Um punhal no coração.

Amália e as Flores

Do livro Madrigais do mesmo autor.

Era Outro

Ah se eu pudesse não ser eu ...

Acreditem ... Era outro!

Pois quem este me deu

Deu-me à vida jaz morto.

 

E se estas pedras falassem

Se este chão tivesse boca

Talvez todos soubessem

Que a minha vida é tão pouca!

 

E o porquê de ser assim?!

Se eu fosse Fariseu

Matava em mim

Este peso de ser eu ...

 

Nem em sou o que sou

Nem sou o que queria

Desta angústia a que me dou

Vou morrendo dia a dia.

 

 

 

Madrugada

Silêncio calado

Noite sombria

Grito abafado

Quando chegará o dia?!

 

Escuridão mortal

Dor presente

Veneno letal

Coração ausente!

 

Ó Triste madrugada

Porque será a noite

Meu ombro, meu nada?! ...

Outro Amor

Tu foste mentira

Não menos verdade

Mas não era de mim

Que tinhas saudade.

 

Tiveste saudade

d'Alguém que não eu

Por isso é verdade

Nosso amor morreu.

 

E morreu o que fomos

Diante do povo

Ser o que somos

É sermos de novo.

 

E o povo só viu

Que secou uma flor

P'la dor que sentiu

Nasceu outro amor ...

 

Frases

O meu Destino é viver a vida d'um Poeta que escreve muito bem e vive muito mal! 

A  Balada da Neve

Poema de Augusto Gil.

Ricardo Maria Louro e Celeste Rodrigues na Viela do Fado em Alfama.

Ricardo Maria Louro, Jorge Fernando e Celeste Rodrigues em Alfama no Coração da Sé.

Com a Avó Clarisse na casa do outeiro em Monsaraz.

Com a sobrinha Carolina Louro do Rosário.

Na casa de Évora.

Em Évora.

No Fado.

Excerto da Balada da Neve

Augusto Gil.

"Talvez que eu morra entre grades ..."

"E o mundo além das grades, possa esquecer as saudades ..."

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